domingo, outubro 11, 2009

Redescobrir todos os beijos


Beija-me.

Ah, se me beijasses e desejasses...

Ainda que em soluços, só de raspão.

Saber-me-ia bem se me beijasses.
Um toque fresco.

Um sabor quente.

E alternadamente um fresco quente!
Podias beijar-me subitamente.

Ao de leve, como se diz.

Ou apressadamente, quase rude.
Arrastando-te em m
im, por cumplicidade.
Se me beijasses tranquilamente, lançando-te sobre mim, como se fosse eu uma "ultima vez qualquer coisa".

Beija-me num crescendo de fanatismo, ou de máscara posta ao invés numa festa disforme.

Actua sobre os beijos que me podias conceder, molda-os ao meu coração atómico, mascara-os também de ti.

Se me beijasses e desejasses mesmo trémula que fosse.
Enrolar-te-ia comigo se me beijasses, mesmo que me não desejasses.

Talvez subiss
es pelo meu corpo mordendo e salivando em cada relevo.
Talvez nem te lamentasses e te esquecesses que, por me beijar me desejavas ainda mais.
Beijando-me, beija-me!
Beija-me contentíssima, soprando no vapor dos beijos palavras amenas, olhos pouco coloridos, apagados ou adormecidos em prazer.
Beija-me que beijando-me te beijaria eu, ansioso e desejoso, eu apertando os dedos no meio das mãos, eu tremendo em medo, enervando-me, sufocando-me e transpirando-te em mim.
Se me beijasses!
Beija-me.