Beija-me.
Ah, se me beijasses e desejasses...
Ainda que em soluços, só de raspão.
Saber-me-ia bem se me beijasses.
Um toque fresco.
Um sabor quente.
E alternadamente um fresco quente!
Podias beijar-me subitamente.
Ao de leve, como se diz.
Ou apressadamente, quase rude.
Arrastando-te em mim, por cumplicidade.
Se me beijasses tranquilamente, lançando-te sobre mim, como se fosse eu uma "ultima vez qualquer coisa".
Beija-me num crescendo de fanatismo, ou de máscara posta ao invés numa festa disforme.
Actua sobre os beijos que me podias conceder, molda-os ao meu coração atómico, mascara-os também de ti.
Se me beijasses e desejasses mesmo trémula que fosse.
Enrolar-te-ia comigo se me beijasses, mesmo que me não desejasses.
Talvez subisses pelo meu corpo mordendo e salivando em cada relevo.
Talvez nem te lamentasses e te esquecesses que, por me beijar me desejavas ainda mais.
Beijando-me, beija-me!
Beija-me contentíssima, soprando no vapor dos beijos palavras amenas, olhos pouco coloridos, apagados ou adormecidos em prazer.
Beija-me que beijando-me te beijaria eu, ansioso e desejoso, eu apertando os dedos no meio das mãos, eu tremendo em medo, enervando-me, sufocando-me e transpirando-te em mim.
Se me beijasses!
Beija-me.