Um rasgo de palavras - Setúbal 12 de Setembro de 2003 - Há já algum tempos
Somos os loucos da vida… pois que só assim é possível viver sem demasiado senso e preocupação… com alienação que baste para não aceitar regras que nos tornam sós e isolados das delícias.
Tenho a cabeça cheia de intervalos que não me deixam sonhar com "desprazer"… e nesse intervalo há um espaço desconhecido… do qual tenho um medo estúpido e inútil… mas enfim ou adiante.
Há medida que o tempo passa por uma Lisboa, eu vejo fotografias lindas de mulheres a preto e branco… e nesse mesmo momento queria ter sido eu a tira-las… para sentir o vapor dos seus suores… ou os ciúmes dos magnatas que afinal de contas, não controlam coisa nenhuma. Queria beijar essas mulheres, uma a uma, como beijo todas as senhoras bonitas com mais de vinte anos.
Cruel miséria, ter de me contentar com contemplações impessoais e à distância.
O certo de toda este rasgo de conversa é que estou num estado de rebentação de ondas extraordinário.
É que a minha disposição para a vida também diminui a cada segundo… e desinvento segundos que existem… e penso que a felicidade que tanto se procura está antes de nós, e não depois… por isso corremos sempre atrás dela em vez de pararmos um pouco para ver se ela nos toca com amor…
É esta a filosofia de vida mais barata que conheço e a que mais felicidade me traz.
O mundo hoje parece-me mais pequeno… o que é bem melhor do que ontem.
Mas não sei se gosto da ideia.
Mário Jara