segunda-feira, fevereiro 15, 2010

... Como sempre...

A senhora Chá desapareceu há uns longos dez anos. Nos meus sonhos pensados e acordados sonho infinitamente com os seus vestidos, com o cheiro que tinham, com os pormenores ou com as formas com que ela presenteava esses vestidos. Eram sempre os mais bonitos, e os mais admiráveis de todos, como ela dizia. E eu contemplava-os mesmo nas histórias desordenadas que ela me contava em tempos de visitas e de chás.

- Sabes! – disse-me na última noite que a vi – Há um espaço inatingível onde todos os seres representam a melhor imagem de si. E na imagem de cada um recriam aspirações e devaneios de um interior íntimo e distante de tudo o resto. E eu creio que isso é que é sonhar e creio que é o mais terno e genuíno gesto do “existir”.

E tudo o que existe, existiu e pertenceu na sua totalidade a essa definitiva noite, a esse fascinante entendimento sobre o “terno e genuíno gesto do existir”.