Sempre detestei alturas como esta.
Este relinchar de cavalgaduras hipócritas, anunciando pequenos trechos de felicidade roubados de uma qualquer composição artistica.
Ainda assim, contento-me com o sorriso de quem se sente fugazmente feliz e gosta.
Cerca de 5 a 20 milhões de pessoas falecem por ano por causa da fome e muitas delas são crianças.

Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm?
Dos que não são cristãos?
Ou de quem trás às costas
as cinzas de milhões?
Natal de paz agora
nesta terra de sangue?
Natal de liberdade
num mundo de oprimidos?
Natal de uma justiça
roubada sempre a todos?
Natal de ser-se igual
em ser-se concebido,
em de um ventre nascer-se,
em por de amor sofrer-se,
em de morte morrer-se,
e de ser-se esquecido?
Natal de caridade,
quando a fome ainda mata?
Natal de qual esperança
num todo bombas?
Natal de honesta fé,
com gente que é traição,
vil ódio, mesquinhez,
e até Natal de amor?
Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm,
ou dos que olhando de longe
sonham de humana vida
um mundo que não há?
Os dos que se torturam
e torturados são
na crença de que os homens
devem estender-se a mão?
Jorge de Sena