quarta-feira, dezembro 06, 2006
Um pouco mais de Filme, por obséquiu! - IX
Jim está de costas para James
Jim – (levando a mão à cara e sussurrando) Cabrão de merda! (irritado) Não vês que estou atrasado! (ironizando) Falamos amanhã, pode ser?
James – Não creio que isso seja possível. Já te disse que é um trabalho sério. Mais. É para hoje.
Jim – Hoje?
James – Rua Constantino. O Job precisa de alguém que se vista de palhaço para entreter as pessoas enquanto nós entramos nos correios.
Jim – E dizes que é um trabalho sério? Pode saber-se o que é que eu ganho com esse trabalho sério?
James – O Job diz que ganhas a possibilidade de ele não te dar uma nova sova. Foi exactamente o que ele disse. Também falou em usar uma arma de fogo, mas não me lembro bem em que situação.
Jim – (sussurrando) Grandes chulos.
James – (descontraído) Só tens de vigiar. Depois vens para casa. Nem sei bem o que é que vamos lá roubar.
Jim – (pensativo) Então é um assalto.
James – (olhando para a janela) Olha. Parou de chover.
Olham para as botas, um do outro, sentam-se no chão e começam a tirá-las.
James – Tens estado pouco em casa. Ainda ontem estive aqui. Duas vezes de manhã e quatro de tarde. É a tal miúda, não é? Ias ter com ela?
Jim – (atirando as botas a James) Que tens tu a ver com isso?
James – (atirando as botas a Jim) Deves estar apaixonado ou algo do género.
Os dois calçam-se.
Jim – Em vez de andares a fazer de menino de recados do “Job disse, o Job fez, o Job mandou”, podias arranjar uma vida para ti.
James – Dizes isso porque já experimentaste...
Jim – Cala-te porco.
James – (de ar compenetrado e desabafando) Nunca estive com uma mulher. Não dessa maneira.
Jim – Cala-te. Devo estar atrasado, pelo menos dois quartos de hora. Culpa tua.
James – Ainda é cedo. Podias levar-me. Eu ficava só a ver.
Jim – Cala-te, já te disse. Grande porco
James – Porco porquê? (reproduzindo as palavras de Jim) “Então ficámos coladinhos um ao outro. Ela não me largava por nada… tinha umas ancas e um peito que até dava vontade de morder”…Lembraste? Como tu me contaste.
Jim – E tu contaste a toda a gente no Café Rouge como se fosse um trailler erótico, porco. Pagaram-te bem, não?
James – (admirado) Três pintores. Dividi-os contigo.
Jim – Mas tinha-te dito para não dizeres nomes.
James – Não falei no nome da rapariga.
Jim – És um porco, é o que és.
James – (fazendo-se de vítima) Podia dizer o nome dela, mas não disse.